Uma nota técnica divulgada em 14 de agosto de 2025, elaborada pelo Grupo de Trabalho de Regulamentação Científica da Cannabis (GT) coordenado pela Embrapa, com a participação de 31 instituições de ensino e pesquisa, mapeou 481 entraves à pesquisa científica com cannabis no Brasil.
O documento aponta dificuldades em autorização para pesquisa, acesso a insumos, restrições de cultivo, fluxo de materiais entre instituições, uso de derivados e protocolos para animais de produção.
Segundo o relatório, tais entraves impedem que o país aproveite o potencial da planta para fins farmacêuticos, industriais e agrícolas — o que gera perdas calculadas em mais de R$ 9 bilhões por ano.
Quem fez
- Em 14/08/2025, o GT da Embrapa enviou o documento ao Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ao Ministério da Saúde.
- Participaram 132 pesquisadores de instituições públicas e privadas distribuídas pelo Brasil.
- O professor André Gonzaga dos Santos, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara, integra o GT e orientou a pesquisa.
Os principais obstáculos
- Trâmites morosos e sem prazo definido para autorização da Anvisa e outros órgãos.
- Dependência de importação de insumos com custos elevados e padrões estrangeiros que não se adaptam à realidade brasileira.
- Fortes restrições ao cultivo e pesquisa de campo no Brasil — “Estudei amostras importadas por mais de R$ 20 mil, demoraram mais de um ano para chegar.”
- Protocolo inexistente ou pouco claro para manejo de animais de produção e insumos derivados de cannabis.
O impacto econômico
De acordo com a nota técnica, caso o Brasil superasse os obstáculos, poderia gerar mais de R$ 9,4 bilhões por ano somente com o segmento farmacêutico da cannabis.
Além disso, a regularização beneficiaria a cadeia do cânhamo industrial, que engloba têxtil, papel, alimentação e bioplásticos.
Por que isso importa
Enquanto o Brasil segue com um arcabouço regulatório fragmentado, países como Canadá, Estados Unidos e China avançam em pesquisa, tecnologia e exportação de produtos derivados de cannabis. A nota técnica alerta que o Brasil está perdendo soberania tecnológica e científica.
A proposição principal é clara: garantir autonomia das instituições de pesquisa, sem abrir mão de controle e rastreabilidade.


