Uma nova pesquisa realizada no campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) revelou que o Canabidiol (CBD), composto da planta Cannabis sativa, foi capaz de reduzir a febre induzida por inflamação em camundongos — sem alterar a temperatura corporal normal.
Os experimentos foram conduzidos em camundongos machos aos quais foi aplicada uma injeção de lipopolissacarídeo (LPS), substância que provoca inflamação e elevação da temperatura. Após administração de CBD, os níveis de marcadores inflamatórios — como TNF-α, IL-1β e IL-6 — foram reduzidos, enquanto a citocina anti-inflamatória IL-10 aumentou.
Resultados e significados
O estudo indica que o CBD age de modo seletivo: ele reduz a febre somente quando há processo inflamatório, sem provocar hipotermia — o que o diferencia dos antipiréticos convencionais.
Segundo os pesquisadores, esse efeito abre possibilidade para novas abordagens terapêuticas em inflamação, embora o uso humano ainda exija mais estudos.
Limitações e próximos passos
Os autores ressaltam que os testes foram realizados apenas em camundongos machos, com dose única. Ainda é necessário investigar a ação em fêmeas, em modelos de inflamação crônica e, principalmente, em ensaios com humanos.
Implicações para a pauta da cannabis medicinal
Os achados reforçam o potencial do CBD como agente anti-inflamatório e antipirético selecionado, o que pode beneficiar pacientes com inflamações persistentes, febres de origem complexa ou que têm restrição ao uso de antipiréticos tradicionais.


